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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Fator dancinha: o que aconteceu com Feist e Florence Welch?


Ando bastante viciado na discografia da Kate Bush, especialmente seu melhor álbum, Hounds of Love, que automaticamente me faz pensar em cantoras modernas e atuais que a seguem e se inspiram na musa da dancinha e misticismo, talvez sem mesmo perceber - ou absolutamente de forma espontânea. Florence Welch, do Florence + Machine é certamente uma das que seguem abertamente e não escondem sua admiração e inspiração em Kate. Muito fácil notar as referências quando se ouve as arpas dançantes e tambores alados de seu primeiro Cd, Two Lungs, ou até mesmo prestando atenção em seus video clipes onde a diva ruiva aparece dançando em vestidos esvoaçantes com suas pernocas pra cima. Feist, talvés, fosse outra a incorporar certas características de Kate, mas de um modo menor - mais pelas dancinhas. Natasha Khan do Bat for Lashes herdou o misticismo, não as dancinhas. Até mesmo Claire Boucher do Grimes traz na bagagem de sua musica eletrônica feita em casa um pouco de Kate.

Kate Bush ficou conhecida pela sua voz aguda e estranha e suas canções um tanto quanto lúdicas e místicas e, mais ainda, por suas dancinhas de bailarina contemporânea em seus cenários cheios de fumaça. Hoje em dia, muitas garotas moderninhas que cantam também trabalham de certa forma com esse mesmo estilo e jeito. Feist seria uma delas. Feist não é a bailarina rockeira que canta sob o som de arpas e tambores mágicos mas era uma cantora pop que fazia algo de diferente e adorava dançar em seus videos. Passinhos fofos em 1,2,3,4 e coreografias aladas em Mushaboom a tornaram conhecida pela sua música fácil e dançante que, apesar da tristeza de suas letras, encontrava encaixe perfeito com dois pra lá e dois pra cá. Porém, em seu ultimo trabalho, os sapatos vermelhos foram trocados por baquetas de metal que ressoam uma certa opressão e depressão que acabaram, por assim dizer, com a alegria melancólica de seus primeiros trabalhos.


Kate Bush dançando loucamente em Whutering Heights.


Florence dançando loucamente em algum show lotado.


Feist dançando loucamente em 1,2,3,4.

Não me atento ao fato de tanto Florence quanto Feist terem tomado novos rumos em suas carreiras musicais, mas sim ao fato de ambas terem perdido uma de, que pra mim, foram suas maiores (ou mais fortes) características - a de, independente do tipo de musica a que se propunham fazer, havia sempre espaço pra dancinhas. Sim, dancinhas, as mesmas que Kate Bush fazia. Não importava a musica, nem antes nem agora. Kate cantava sobre montanhas e mares e Deus e ainda assim conseguia balançar a cabeça de um lado pro outro erguendo as mãos bem alto fazendo as mangas de seu vestido de chiffon vermelho voar. O mesmo acontecia a Florence, que em cima de seu salto 15 e collant preto, dançava seguida de duas moiçolas trazendo graça e bossa a suas músicas sobre amores doídos e pulmões cheio de angústia. Fesit, então, nem se fala: com seu coração solitário e alma de menina, cantava sobre amor e apartamentos alugados, romances de uma noite e um desespero juvenil de não saber o que fazer. Mas, ainda assim, dançava em meio a latões de fogos de artifício e em salões escolares. Mas, me pergunto, o que diabos aconteceu?


Feist em seu ultimo video. kd dancinha?

Florence com cara de Q, atualmente. kd dancinha?

Feist lançou seu album novo com toda uma pompa de cantora amadurecida e, sobre o ar de suas guitarras distorcidas e tambores de metal, lançou um video-clipe-curta-metragem cheio de história e drama cinematográfico. Florence, por outro lado, não perdeu a essência no que diz respeito a suas roupas de fada ruiva, mas se deixou vender pelo mercado da moda e começou a se apresentar em desfiles de moda e em palquinhos modestos mas cheios de luxo e glamour. Perdeu a alegria da saia florida de "Kiss with a Fist" e ganhou maquiagem Dior pra combinar com a nova cara austera e seríssima que nos acostumamos a ver em suas aparições. Caretice ou amadurecimento, não sei. Mas sinto falta das meninas felizes e o fator dancinha que sempre me fez acreditar que nem só musas pops podem dançar e se divertir em frente a câmera. Afinal, dançar todo mundo dança. E ver essas meninas dançando como se ninguém estivesse vendo, me confortava por saber que eu, em meu quarto na frente do espelho, também fazia o mesmo.